Imagine ser assediado por uma pessoa que não tem pleno domínio de suas faculdades mentais, por vários meses. Imagine, agora, se você que está sendo assediado por essa pessoa, decide (e também por força das circunstâncias) se candidatar a cargo político. Agora, imagine que amigos seus desocupados, criam uma historia, dizendo que a pessoa com problema nas faculdades mentais ganhou na telesena e você subtraiu o prêmio que seria dela. A próxima etapa é a da campanha eleitoral. Pense em você e um grupo de pessoas ouvindo o seu discurso, de repente Ela aparece tão irada quanto é sua natureza, e começa gritar que você é um ladrão; que você roubou o prêmio da telesena; que você não presta etc. e tal. Como se livrar de uma situação dessas? A cidade possui menos de seis mil habitantes e as notícias acabam se espalhando com rapidez. Não que as pessoas acreditem que você é capaz de fazer aquele tipo de coisa. Mas se tornar motivo de chacota, murmúrios e conversas a boca pequena em uma acanhada cidade do interior, é algo extremamente fácil. Assim desenhou-se o quadro que deu origem ao conto “Retratos de um Passado”. Eu vitimado por aquela personagem real que me assediava com suas ilusões, e ela vítima de sua situação e de seus algozes capazes de se aproveitarem de suas carências, para criar uma situação cômica. Dias difíceis se construíram ante aquela situação nada convencional. Não posso afirmar que tenham sido dias difíceis somente para mim. Estou certo de que a angústia que ela carregava ao achar que eu havia subtraído o seu prêmio era, sem dúvida nenhuma, maior do que o meu constrangimento. Bastava me ver e toda aquela aflição de quem tinha ganhado um prêmio e não recebido, estampava-se no semblante da mulher. O pior era que toda aquela angustia era transformada em um discurso humilhante e declamado em alto e bom som, trazendo palavras pouco agradáveis para o ouvinte, ou seja, eu!
Escrever literatura é uma arte que nem sempre está atrelada a pura ficção. Os escritores acabam encontrando uma forma para expressar os demônios que palpitam dentro de si. Encontram, então, na literatura essa liberdade para extravasar essas sensações conflitantes, e por fim, expô-las ao mundo sem qualquer receio, mesmo sabendo que poderá receber críticas.
Um dos meus contos, “Retratos de um Passado”, publicado nesse livro, tem uma singularidade muito interessante. A vontade de escrevê-lo surgiu de uma necessidade que poderia denominá-la de “social”. A verdade é que conheci sua personagem, e convivi com a mesma socialmente durante um período de tempo. Devido a suas características nada convencionais acabei me transformando em seu ouvinte, “um pseudopadre” em confessionário nada discreto, meu trabalho, e estarei contando essa história para vocês no decorrer das semanas.
De certa forma, quem tiver a curiosidade de saber como se constrói um conto, perceberá sutilmente através dessa experiência...
Escritor, formado em Letras, pela Universidade Federal de Goiás. Cursando Tecnologia em Sistemas para Internet pelo CEFET/GO. Além de escrever desde sempre, gosto de pintar em telas, fazer teatro, inclusive tendo conquistado alguns prêmios nessas categorias. Entretanto, o grande foco está na escrita. Considero-me sempre um aprendiz, por isso estou constantemente buscando me aperfeiçoar e conhecer novos e velhos talentos, onde busco inspiração para afirmar ainda mais meu estilo. Os escritores que me chamam a atenção são: Clarice Lispector, João Ubaldo Ribeiro, José Saramago, dentre outros. Em meu currículo estão algumas conquistas como:
·Antologia Poética e Contos (1998) (1º lugar em Contos) "Retratos de um passado" - GO;
·Antologia Poética e Contos (1998) (3º lugar em Contos) "Sem tempo de ter tempo" - GO;
·Recôndito Diário (2002) - Romance publicado através do projeto de incentivo a cultura do MEC - GO;
·Em 2005 recebi o PRÊMIO CÉLIA CÂMARA em literatura, (prêmio mais importante do Concurso Sesi de Literatura e Artes Plásticas) "O primeiro dia" - GO;
·VII Concurso de Poesia da Academia Casimirense de Letras e Artes (1º lugar) "Efemeridade" - RJ (2006);
·Classificação para o livro de antologias poéticas da Universidade Federal de São João Del Rei "Néon Púrpura" - MG (2006);
·Menção Honrosa no 1º Concurso Cidade de Gravatal de Literatura, com o conto: "Bodas de Prata" (2006);
·Selecionado para obra antológica do Concurso da Associação dos Escritores de Bragança Paulista com a crônica: "Sobre as cerejas do mundo" (2006);
·Selecionado no 25º lugar dentre 518, no II concurso de contos da Academia
Cachoeirense de Letras com o conto: "19º Andar" (2007).
·Publicação do Livro: “Joyce a Louca, e outros contos”, pela Biblioteca24x7 em 2008.
Membro correspondente da Academia Cachoeirense de Letras, insc. 384
Joyce, a louca! É uma obra que passeia pelos caminhos da alma humana. Com seus personagens encontrados no dia a dia, os contos evidenciam as características mais curiosas de intrigantes personagens. Em dois de seus contos, põe em xeque a loucura, levando o leitor a refletir sobre a linha tênue que separa o que parece “normal”, daquilo que é apontado como “anormal”. Joyce, a louca! Confirma afirmações feitas sobre o autor quando dizem: “um homem maduro, com mente ousada, e pena afiada”...
Joyce, a louca! E alguns contos, reúne contos premiados que remetem o leitor a estranhos seres comuns que vivem em nosso redor. “Retratos de um Passado” nos apresenta Dona Mara, uma mulher discriminada, louca, que amedronta o povo de uma cidade. Seus gestos robóticos são capazes de assustar aqueles que cruzam seu caminho. O maior medo, porém, é de sua língua afiada, capaz de revelar os segredos mais escusos daqueles que a desafiam.
Mas na cidade ela encontra um jovem que pacienciosamente ouve sua história. Ela revela segredos de sua vida que parecem justificar seu estado atual. Apresenta seus vários casamentos, os homens importantes da cidade que a desejavam, sua origem e sua luta. Revela que já foi uma mulher rica, fazendeira, dona de pensão. Mostra um lado humano de pessoa capaz de olhar o outro como um ser que precisa do próximo, e como próxima se revela alguém capaz de estender-lhe a mão.
Paralelamente, Dona Mara continua sua vida de louca, andando nua pela cidade, andando seus passos robóticos e cuspindo nas pessoas ao conversar. Xingar as pessoas, assustar as crianças, cantar sempre a mesma música e alimentar um mito popular, faz de Dona Mara um ser enigmático e amedrontador. Em seu desfecho, pode-se atribuir tudo isso a apenas uma coisa; a inveja de alguém que um dia soube viver como muitos gostariam e jamais conseguiram.
Em “19º Andar” encontramos o drama de um homem que nunca teve sorte no amor. Ao entrar no elevador de seu prédio, onde fora morar após ter encerrado um relacionamento frustrante, ele encontra aquela que ele deseja que seja sua. Mas diante de sua timidez e extremo complexo, ele se vê acuado por aquela presença feminina. Imagina dizer muitas coisas bonitas a ela, ensaia mentalmente declarações, mas está extasiante com aqueles olhos femininos a mirarem-no.
Imagina ter dito coisas enquanto sua boca está travada pela timidez. O elevador que parece descer lentamente, até dar novo tranco e parar. É a loira majestosa que mora naquele prédio, e que ele suspeita ser namorada de um jovem hercúleo que já viu por ali pela portaria do prédio. Com a boca seca, se olha no espelho do elevador e percebe que está pálido. Enquanto descem, ele de cabeça baixa, pensa no quanto sempre fora submisso a timidez. Num ímpeto, após extremos conflitos, levanta a cabeça para fazer sua declaração e deixar a loira de boca aberta, e qual não foi a sua surpresa com o que vê diante de si.
“O Primeiro Dia” narra a estória de um homem em seu primeiro dia de aposentadoria. Acostumado aos horários de trabalho, ele não consegue ficar na cama. A verdade é que ele não se lembra que é o primeiro dia de aposentadoria. Levanta-se conservando a esposa em seu bom sono, e segue até a cozinha para fazer o café. Não antes do café, o homem vai até o banheiro tomar seu banho matinal, e lá se vê diante de si pela primeira vez em dezenas de anos.
Ao se defrontar com o espelho para fazer a barba, enxerga um velho diante de sua estrutura física, e de seus apetrechos que foram sendo substituídos no decorrer dos últimos anos, e que somente agora ele percebe. Com suas bochechas moles e a fumaça do chuveiro que criou a névoa sobre o espelho, o homem se depara com uma nostalgia arrebatadora.
E a novela que intitula o livro “Joyce, A Louca!”, apresenta essa personagem confusa que tem como companheira uma galinha. Joyce conversa com essa galinha como se fosse uma amiga humana. Quase não sai pelas ruas, pois sempre é criticada e debochada pela vizinhança. No entanto, ela tem sua opinião sobre a vizinhas, cujos maridos bêbados desfrutam das prostitutas do bairro, antes de voltarem para suas casas.
Seu ganha-pão é um mistério que ela guarda a sete chaves. Esconde esse segredo, inclusive, de sua amiga Filó, a galinha. Um dia ao sair de casa para ir buscar seu ganha-pão, ela é seguida pela sua amiga que deseja apenas descobrir o endereço, para depois verificar do que se trata.
De volta da casa onde busca suprimentos, ela traz uma caixa grande. Volta de taxi, à noite, devido à grandiosidade da caixa. Ao abri-la, no dia seguinte, descobre que o seu pagamento, dessa vez, é algo exótico e sem propriedade. Inicia-se, então, um drama entre ela, o “pagamento” e a galinha. Assustada com tudo aquilo, a galinha bota um ovo. Joyce fica furiosa porque elas tinham um acordo de que nenhuma se entregaria a nenhum macho.
A grande obsessão de Joyce é encontrar sua mãe. Imagina que uma de suas vizinhas é sua mãe, mas acaba por descobrir seu engano. Cada vez mais revoltada, agora ainda se sente traída por sua mantenedora. Durante o drama, descobre-se que ela foi criada em um bordel, onde havia sido abandonada e posteriormente resgatada por uma pessoa que descobre um grande segredo de Joyce. Esse é o acordo para que a menina seja sustentada por essa pessoa...
Cercada pelos moradores do bairro, que aproveitam de cismas para se verem livres daquela estranha, Joyce se tranca enquanto decide o que fazer da vida. Policiais e a população cercam seu barraco, e ameaçam invadi-lo... agora Joyce terá que ser astuta para se safar dessa situação... e VOCÊ terá que ler o livro para descobrir!