domingo, 29 de março de 2009

Retratos de um Passado - Parte 2

Imagine ser assediado por uma pessoa que não tem pleno domínio de suas faculdades mentais, por vários meses. Imagine, agora, se você que está sendo assediado por essa pessoa, decide (e também por força das circunstâncias) se candidatar a cargo político. Agora, imagine que amigos seus desocupados, criam uma historia, dizendo que a pessoa com problema nas faculdades mentais ganhou na telesena e você subtraiu o prêmio que seria dela.
A próxima etapa é a da campanha eleitoral. Pense em você e um grupo de pessoas ouvindo o seu discurso, de repente Ela aparece tão irada quanto é sua natureza, e começa gritar que você é um ladrão; que você roubou o prêmio da telesena; que você não presta etc. e tal. Como se livrar de uma situação dessas?
A cidade possui menos de seis mil habitantes e as notícias acabam se espalhando com rapidez. Não que as pessoas acreditem que você é capaz de fazer aquele tipo de coisa. Mas se tornar motivo de chacota, murmúrios e conversas a boca pequena em uma acanhada cidade do interior, é algo extremamente fácil.
Assim desenhou-se o quadro que deu origem ao conto “Retratos de um Passado”. Eu vitimado por aquela personagem real que me assediava com suas ilusões, e ela vítima de sua situação e de seus algozes capazes de se aproveitarem de suas carências, para criar uma situação cômica.
Dias difíceis se construíram ante aquela situação nada convencional. Não posso afirmar que tenham sido dias difíceis somente para mim. Estou certo de que a angústia que ela carregava ao achar que eu havia subtraído o seu prêmio era, sem dúvida nenhuma, maior do que o meu constrangimento.
Bastava me ver e toda aquela aflição de quem tinha ganhado um prêmio e não recebido, estampava-se no semblante da mulher. O pior era que toda aquela angustia era transformada em um discurso humilhante e declamado em alto e bom som, trazendo palavras pouco agradáveis para o ouvinte, ou seja, eu!

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